top of page

A Transfobia na Infância

  • Nov 27, 2017
  • 5 min read

"Hoje (esta terça-feira), no cúmulo da transfobia, me chamaram pra uma reunião e 'recomendaram' que nossa família procure outra escola, que possa atender 'as necessidades' dela. Admitiram que ela é uma ótima aluna, com boas notas e comportamento, mas não vão fazer a matrícula dela para o ano de 2018", relatou a mãe de Lara em seu perfil do Facebook , a escola teria alegado que apesar da criança transexual ser “uma ótima aluna, com boas notas e comportamento”, era necessário que ela procurasse uma instituição que atendesse “as necessidades” de Lara.

Foto de divulgação do manifesto depois do ocorrido. Reprodução via: Facebook

"Simplesmente a expulsaram, a enxotaram. E quando eu questionei nos escorraçaram: 'os acompanhem, já terminamos a reunião'. Lara e nós, pais, nunca nos sentimos tão constrangidos, humilhados, diminuídos, desrespeitados...", para a mãe, a atitude da escola foi transfóbica.

Mara afirma que escolheu a escola justamente pela instituição se mostrar inclusiva, "Nós a matriculamos lá porque acreditávamos que eles tinham um projeto pedagógico construtivista e inclusivo. Isso muito tempo antes de saber que Lara é uma menina trans, pois queríamos que ela tivesse essa visão de mundo sobre a diversidade" afirma, tendo em vista ser frequentada por alunos com síndrome de Down, autistas e portadores de deficiência. “Um lugar que ela tinha como uma segunda casa, ond

e cultivou todas as amizades, nos deu a decepção mais amarga.

Mas transformaremos esse gosto azedo em força para lutarmos por Justiça!”, alertou a mãe, a adolescente estudava no local desde os 2 anos, o que deixou a mãe ainda mais decepcionada. “O que justifica a expulsão de uma aluna com um histórico exemplar senão a transfobia?”, completou no Facebook.

A escola já não vinha respeitando a resolução número 12/2015, que garante o reconhecimento e adoção do nome social em instituições e redes de ensino de todos os níveis e modalidades, "A impediram de pegar a carteirinha de estudante com o nome social (como a Etufor garante) porque se negaram a confirmar a matrícula dela, o que causa danos morais e também financeiros, uma vez que ela não pode exercer seu direito à meia-entrada", conta ao Transmanual, “bem como o uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero de cada sujeito.

Desrespeitava o nome social, colocando o nome civil em todos os registros, tais como frequência, avaliações, boletins, a submetendo ao constrangimento. "O banheiro feminino também lhe foi negado, com a recomendação que usasse o banheiro da coordenação", disse a mãe da estudante. Lara teria visto que seus colegas de turma receberem informes sobre a renovação de matrícula para o ano letivo de 2018, porém, segundo sua mãe, o documento não lhe foi entregue.

A Escola Educar SESC se manifestou por meio de uma nota na página SESC Ceará, no Facebook, em que garante a rematrícula dela no próximo ano letivo.

"O Sistema Fecomércio e a Escola Educar SESC de Ensino Fundamental, em Fortaleza, repudiam qualquer atitude de preconceito. A Escola está averiguando os fatos e tomando as devidas providências. A premissa básica do Sistema FECOMÉRCIO-CE é inclusão e educação. Analisamos o caso e a aluna tem matrícula assegurada em 2018, como todos os veteranos", afirmou.

Em comunicado enviado ao GLOBO, a instituição de ensino dirigiu "desculpas à Lara e família".

"O Sistema FECOMÉRCIO-CE e a Escola Educar SESC de Ensino Fundamental, em Fortaleza, lamentam profundamente que qualquer atitude, fruto de preconceito ou desconhecimento, tenha causado sofrimento à família da Lara. A direção do Sistema determinou imediata apuração e tomada de providências para o acolhimento da aluna, bem como a adoção de protocolos para que fatos semelhantes não voltem a acontecer. O Sistema Fecomércio-CE é inclusão e educação.

Reforçamos que a aluna tem a matrícula assegurada para 2018, como todos os estudantes veteranos da Escola Educar Sesc de Ensino Fundamental. À família, nosso sincero pedido de desculpas", disse a instituição, por meio da assessoria de imprensa.

Apesar de a escola ter afirmado que a adolescente continua matriculada, a manifestação prevista permanece agendada, segundo o organizador do evento, Italo Alves, de 25 anos.

De acordo com o ativista, essa é uma forma de firmar sua indignação perante o que a mãe da menina relatou.

Família registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Delegacia de Combate a Exploração da Criança e Adolescente (Dececa), O Centro de Referência LGBT Janaina Dutra acompanha o caso.

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. (Declaração dos Direitos Humanos, Art. I)

O caso de Lara chocou o Brasil e as redes sociais, ainda mais tratando-se de um tema tão abordado na atualidade, chegando a ser tema até mesmo da última novela das 21h da Rede Globo.

De um lado, muitos manifestaram apoio e mandaram mensagens de apoio para Lara e sua mãe, porém tiveram também os internautas que fizeram questão de comentarem coisas transfóbicas, como as das imagens abaixo:

A transfobia é presente nos dias de hoje e muitos a categorizam como "falta de Deus", "erro de família" e "coisa do demônio". Em entrevista de 2014 ao Profissão Repórter, da Globo, a cearense Pietra explica a transexualidade e conta sua história. “A transexualidade é um problema de gênero neuropsicológico e genético, não se confunde com orientações sexuais.

Nasci com esse problema e aos 16 anos de idade, por não suportar meu órgão genital, eu cortei com uma faca.

Foi o que amenizou minha dor e meu sofrimento interno. Ainda não passei por uma cirurgia de redesignação, por isso ainda tenho muitas limitações, mas é incrível como uma cirurgia pode curar um problema psicológico”.

Muitos descobrem a transexualidade cedo, porém muitos países demoram para aceitar, principalmente tratando-se de confirmações na infância. Em terras brasileiras, a primeira criança a ser autorizada pela Justiça para mudar de nome e de gênero foi Luiza, do Mato Grosso. A autorização foi confirmada no dia 28 de janeiro de 2016.

Mara contou detalhadamente ao Transmanual tudo o que aconteceu com sua filha, as atitudes que a escola tomou antes e depois que seu desabafo saiu na imprensa nacional e você pode conferir o relato completo abaixo:

De um lado, muitos manifestaram apoio e mandaram mensagens de apoio para Lara e sua mãe, porém tiveram também os internautas que fizeram questão de comentarem coisas transfóbicas. Alguns dos comentarios Transfóbicos do post da Mara no facebook:

Mais no Transmanual:

Entrevista: Natália Cristina e Nathan Bandeira.

Texto: Natália Cristina, Nathan Bandeira e Verônica Torrealba.

Comments


Tags

© 2023 by The Book Lover. Proudly created with Wix.com

bottom of page