top of page

"M" de mulher, "M" de Monique

  • Nov 15, 2017
  • 3 min read

Monique Casonato é uma mulher de 25 anos. É estudante de moda, simpática, bem humorada e super de bem com a vida. Não existe tempo ruim com ela - e nem papas na língua!

Monique nos respondeu algumas questões sobre ser uma mulher trans na sociedade atual:

1. Qual foi a "luz" que levou você a se descobrir?

Então, eu sempre soube que era diferente. Desde muito nova eu já me sentia diferente, mas como essa questão é da nossa natureza, eu não digo que me descobri, eu apenas aceitei, pois ser uma pessoa trans não é nada fácil. O que me fazia questionar a minha identidade, era a maneira como o mundo, as pessoas ao me redor, se referiam a mim, principalmente em relacionamentos, pois eu nunca me interessava por meninos gays e eles não se interessavam por mim. Eu sempre fui muito menina, e os rapazes gays, afinal, gostam de homens, e eu nunca fui homem.

2. A visão da sociedade já é bem crítica em relação aos transexuais, como foi para as pessoas mais próximas a você, como família e amigos?

Eu sou muito, muito abençoada por ter uma família que me apoia e me respeita, principalmente minha mãe. Mas nem sempre foi assim, acredito que as pessoas só conseguem realmente nos entender, quando se tem conhecimento sobre, mas eles me entendem cada vez mais e isso é muito bom já que a questão trans ainda é um assunto tratado como tabu, e por ainda se relacionar alguém trans com a prostituição e as drogas e decotes e promiscuidade, e não, não é bem assim.

3. Qual a sua visão desse novo molde – tanto positivo quando negativo – que a sociedade está tomando?

Bom, essas ultimas novelas estão deixando as pessoas mais tolerantes com relação a isso, mas o Brasil é um pais hipócrita. Todo mundo falava da novela, e nossa! Todos se sentem empáticos e sentem muita compaixão com relação nós, mas vê se essas pessoas se tivessem a oportunidade de dar emprego a alguém, se dariam a uma pessoa trans.

4. No seu ramo, o da moda, você acredita que a população trans tem ganhado mais espaço, tornando isenta – em um momento futuro – as rotulações, como por exemplo “modelo trans”?

Acho bem chato essa coisa de rótulos, pessoas são pessoas. E essa coisa de rotular, é uma maneira sutil de separar as pessoas. Separar mulheres trans de outras mulheres, por que ainda, existe esse véu que as pessoas gostam de usar. Tipo a mulher trans, e a mulher “de verdade”... Sim, o mundo da moda é mais aberto naturalmente, mas as pessoas são cruéis, e o mundo da moda não é diferente, afinal, moda são pessoas.

5. Qual são as dificuldades que você detecta que ainda estão presentes no mercado de trabalho em relação aos trans, hoje?

Dificuldades estão presentes em cada momento na vida de uma pessoa trans. Dificuldade de arrumar emprego, de se manter nele, de não errar, afinal, não podemos errar nunca, somos cobrados 5 vezes mais para sermos pessoas melhores. Como por exemplo, se você quer ser uma mulher, precisa ser uma mulher linda, não pode ter rosto masculino, não pode errar nas roupas, precisa ser perfeita o tempo todo, e ainda lidar com as críticas ao seu redor. Mercado de trabalho também implica com pessoas trans que não conseguiram retificar os documentos, como já aconteceu comigo. Por causa dos documentos, já fui rejeitada milhares de vezes em tentativas de conseguir um emprego... Esse processo não é nada fácil.

6. Você teria algum conselho a dividir com quem ainda está se descobrindo?

Primeiro se ame muito, se oriente e eduque e alcance as pessoas que te amam, não tenha nojo de você, a felicidade não está em um pênis, em uma vagina, em seios e essas coisas, está em você. Não tome qualquer hormônio, tenha paciência, se aceite como você é, e aprecie as suas conquistas e mudanças. Sempre.

Comments


Tags

© 2023 by The Book Lover. Proudly created with Wix.com

bottom of page