Entrevista com Paloma Vasconcelos, autora do livro Transresistência
- Nov 21, 2017
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A equipe do Transmanual entrevistou Paloma Vasconcelos, autora do livro Transresistência e ativista do movimento LGBT. Na entrevista, ela falou um pouco mais sobre seu livro, inspiração para escrevê-lo, a experiência de fazer o mesmo e seus aprendizados ao entrar em contato com pessoas que são do mesmo movimento que ela participa, mas que tenha realidades tão opostas.

TRANSMANUAL: Queríamos que você falasse mais sobre o seu livro, de onde veio inspiração para ele e por quê é focado em um tema tão específico? PALOMA: Em 2015, quando eu vi o caso da Verônica Bolina, que ela foi espancada em uma prisão masculina, eu fiquei muito chocada, porque além dela estar em uma prisão masculina, o que eu não concordo porque ela é uma mulher, independente dela ter trans, cis, o que for e o jeito que a mídia tratou, tirando a Ponte Jornalismo, que foi a única que fez uma cobertura bem legal sobre isso, ninguém tratou direito sobre pessoas trans, e eu sendo parte do movimento LGBT, fiquei pensando “eu preciso fazer alguma coisa com meu TCC referente à pessoas trans”, aí no começo eu não tinha pensado numa abordagem específica, aí eu comecei a ver o que já tem na mídia e já tinha muita gente falando sobre gênero, muita gente falando sobre violência, que é uma coisa que sempre eles cobrem mas, sobre o mercado de trabalho, ninguém tinha feito esse recorte, então foi aí que eu resolvi falar especificamente sobre o mercado de trabalho. TRANSMANUAL: Por que para o seu TCC você decidiu fazer um livro e não um site ou blog? PALOMA: É que desde o começo da faculdade eu sabia que texto era a coisa que eu mais ia gostar, e foi assim do primeiro semestre até o último. E eu já tinha um livro publicado antes, em 2012 eu publiquei um livro que fala sobre o islamismo, sobre como os muçulmanos não são só o terrorismo, para tentar resgatar toda imagem deles. Eu quero ser escritora também, sou muito fã da J.K. Rowling, então eu queria, claro, não vou ser como ela um dia, mas uma meta da minha vida é trabalhar só como escritora. TRANSMANUAL: Qual foi a experiência de escrever esse livro, falar com as pessoas sobre esse tema? PALOMA: Foi maravilhoso. Foi muito difícil achar as fontes. As pessoas, 90% delas foram para prostituição, então eu tive que achar os 10% e eu tentei pegar um enfoque que assim, muitas empresas de telemarketing contratam pessoas trans, pois elas ficam invisíveis, eles não sabem que é uma pessoa trans que está atendendo. Eu foquei em achar pessoas que estão ali na frente, por exemplo, a Luiza, que é com quem eu começo o livro, ela trabalha no MASP e na época que eu entrevistei ela, ela ficava na porta da galeria, sentada na galeria, primeira pessoa que você via no MASP era Luiza, então quis pegar a visibilidade da visibilidade das pessoas trans. TRANSMANUAL: Quanto a sua experiência em si, de você falando sobre esse mercado de trabalho, é contratação livre ou eles contratam por cota. PALOMA: Assim, uma das empresas que eu achei fonte, foi a SP Escola Teatro, eles têm uma cota em que 3% das vagas são destinadas para pessoas trans e tem a hamburgueria, que é a Castro Burger, lá praticamente só tem LGBT trabalhando, de 16 funcionários, 3 são héteros, é focado nisso mas, por exemplo, no MASP não tem nenhuma cota, tanto que a Luiza foi a primeira pessoa trans a trabalhar lá, agora eles estão contratando a segunda. O Diogo, do hospital, foi o 1º homem trans a ser contratado. Aí o Enzo... Na verdade são 3, a Fontex, que é uma empresa de telemarketing, um dos meninos ele trabalha no telemarketing, só que eu achei legal falar dele porque ele trabalha em dois empregos, pra conseguir realizar o sonho dele de fazer a mastectomia, que é a retirada dos seios e ele precisava de dois empregos pra juntar essa grana porque é muito cara, é de 10 mil à 15 mil reais a cirurgia, pelo SUS você fica uns 10 anos na fila.
TRANSMANUAL: Mas ele (Enzo) não teve problema com nenhum dos dois empregos? PALOMA: Então, aí tem um porém. No primeiro emprego, que foi o que ele conseguiu antes, não respeitam o nome social dele. A empresa, não lembro o nome, mas de telemarketing só que mais pequena, eles não respeitam o nome dele porque assim, quando ele entrou foi antes da transição. Teve até uma fala dele, que eu até coloquei, que ele falou assim, “Ah, o pessoal falou que me conheceu de fulano então vão me chamar de fulano. ” Para todo mundo da empresa ele era o “antes da transição”, aí na Fontex, no dia da entrevista, lá na ficha dele, tinha o nome social. Desde o primeiro dia ele foi respeitado, pôde usar o banheiro feminino, duas experiências no mesmo dia em situações completamente diferentes. Foi muito maravilhoso falar com essas pessoas, porque assim, por mais que eu seja LGBT, eu nunca tinha parado para conversar com uma pessoa trans. Eu não fazia ideia (da realidade deles) pois como lésbica eu sofro, mas eu conheci uma outra realidade. Todas as pessoas que eu entrevistei foram maravilhosas, os oito personagens são incríveis. TRANSMANUAL: Falando sobre nome social, gostaríamos de saber a sua opinião nessa polêmica que tá tendo sobre nome social federal no Brasil, sobre ter o nome social ou não em faculdades, no trabalho mesmo como as pessoas do livro. Qual é a sua opinião sobre isso? PALOMA: O nome social é uma coisa que deveria ser respeitada e não deveria ser tão difícil de conseguir, porque pra eles conseguirem o nome social é uma burocracia enorme, tanto que uma das personagens, a Renata Peron, demorou muito para ela conseguir ser chamada de Renata, então informalmente. Assim, deveria ser mais fácil para eles conseguirem colocar no RG o nome social porque é aquela burocracia: tem que passar no psicólogo, primeiro porque você tem que ser considerado doente, tem que ter o CID10 senão você não consegue nem fazer parte do trâmite. Ela (Renata), por exemplo, conseguiu o nome social, está lá no RG dela que o nome dela é Renata, mas tá no sexo masculino, o juiz não autorizou trocar o sexo. É um absurdo isso. Ela é uma mulher, mas lá no registro dela continua sexo masculino porque o juiz era conservador. Acho que deveria ser muito mais fácil deles conseguirem o nome no RG e deveria ser proibido não aceitar o nome social, porque é um constrangimento horrível. O Enzo mesmo, conversando com ele, ele é Enzo, dá pra ver que ele é um menino, com barba e as pessoas insistem em chamá-lo pelo nome de registro. É conservador demais, ele sofre muito.
PALOMA: Eu sempre vou lá no shopping da Paulista, o Shopping Center3 e quando eu entrei no banheiro, acho que foi a primeira vez que entrei naquele shopping depois de cortar o cabelo, quando eu entrei no banheiro as pessoas começaram a me olhar estranho, até então beleza né, eu lembro que quando eu sai, uma moça olhou bem na minha direção quando ela viu que eu sai do banheiro e ela parou, eu fiquei pensando, nossa parece que eu tenho alg

uma doença, eles ficam pensando mas é uma mulher ou um homem, o que você esta fazendo nesse banheiro que não te pertence, eu fico pensando por que da para ver que eu sou uma menina, fico pensando o que os meninos trans não passam na minha situação, depois disso eu até comecei a perguntar para eles como é usar o banheiro, ai teve um deles que falou, eu não uso.
O Klaus, desde criança quando ele percebeu que era um homem trans, ele não sabia o termo, todos os meninos foram assim, também tem isso né, a gente conhece o que é uma mulher trans e o que é uma travesti, mas o homem trans ele é muito invisibilizado, por que a harmonização dele é muito forte então a gente não percebe que é um homem trans, então eles não sabiam como é que chamava a transexualidade para eles, quando eles ouviram a palavra homem trans eles falaram é isso que eu sou, todos eles viviam como mulheres lésbicas até entenderem, eles não tinham uma consciência do que era.
Ai o Klaus eu quase chorei, imagina uma criança passando pelo aquilo que ele passou, acho que ele tinha uns sete, oito anos eu não lembro, muito novo, ele não conseguia usar o banheiro da escola, por que ele olhava o banheiro dos meninos e o das meninas ele sabia que não se encaixava, então ele segurava o xixi, isso direto, direto ele estava indo para casa, ele morava no interior de Minas depois que ele mudou para São Paulo, ele não usava o banheiro, várias vezes ele acaba fazendo no meio do caminho, imagina para uma criança você saber que não pode usar o banheiro.
O Enzo, por exemplo, ele está trabalhando em dois empregos para conseguir a mastectomia, então ele já tem barba, mas ele ainda tem seio, então ele não pode entrar em nenhum dos dois banheiros públicos, obviamente, por que se ele entrar em um banheiro masculino, quem sabe, os homens infelizmente são muitos mais violentos, ele pode sofrer uma agressão física, e as mulheres vão olhar ele de cara feia vão falar, que “que essa pessoa de barba e cinto está fazendo nesse banheiro?”.
TRANSMANUAL: Em certa pesquisa que a gente fez, foi que o brasileiro é o que mais assiste vídeo pornô/ pornografia trans, só que os brasileiros são também os que mais matam trans, então tem essa contradição, ele vê o vídeo, mas ele caba matando.
A gente pode falar disso por que duas das minhas personagens eram garotas de programa, e acabaram agora saindo e uma delas, é até engraçado, a Samantha ela até fala, que aprece que o homem hetero, por mais que ele ache que ele não é hetero, que sair com uma mulher trans já é um absurdo, ele procura a mulher trans, uma travesti por que ele acha que vai satisfazer os desejos mais sórdidos que ele tem nada vida dele, uma coisa bem escrota mesmo, tipo o que eu não posso fazer com uma mulher, ele vai procurar uma travesti para fazer, tanto que elas até falam, eu só não lembro se eu relatei isso no livro, ela e a Luiza falam que os homens brasileiros são os piores, por exemplo.
A Luiza ela já morou lá a Europa, ela foi para lá, das mulheres trans ela (Luiza) foi a que mais apoio da família a mãe dela sempre foi muito próxima da família, ela até fala, “Eu precisava entender por que as minhas amigas falavam que a prostituição na Europa era tão bom”, ela não precisa se prostituir e foi para lá, ela era de Petrolina, ela veio para São José dos Campo, viajou pelo Brasil, mas ainda era pouco, ela precisava saciar esse lado dela, então ela foi para a Europa, passou por toda a parte do trafico sexual, ela fala que o homem europeu trata a mulher trans como qualquer outra, ela até falava que eram verdadeiros gentleman’s os caras lá, ela começou a namorar fora ela voltou para o Brasil e agora ela se declara assexuada, por que agora ela não consegue, o homem brasileiro ele pé muito machista e muito transfóbicos e quando eles acabam namorando com elas eles não assumem.
TRANSMANUAL: Ela pensa em ficar aqui no Brasil o voltar para a Europa?
PALOMA: Então, agora ela está muito bem no MASP, ela foi promovida, foi a melhor notícia que eu tive na minha vida, o livro teve um pouquinho de feito ela me contou, ela não está mais como orientadora de público, ela agora está na loja, mas ela fala que ela morre de medo de viver no Brasil, principalmente por que é o pais que mais mata, travestis, principalmente mulheres trans, os homens trans eles sofrem menos, teve um dos meninos eu não lembro quem, ele até falou, é bom a gente ser invisível por que a gente não sofre o preconceito que as mulheres sofrem, mas o ruim é que outros homens trans não vão saber.
A mulher tem aquela parte do traço, que também é mais difícil sair, e a gente tem isso, é o país mais transfobico o que mais mata o que mais assiste pornografia trans, eles acham que se eles assumem um relacionamento com uma mulher trans, uma travesti é por que eles são gays eles não conseguem entender, é que se você fala que é uma mulher trans e se vê como uma mulher, você é uma mulher independente do que você tem no meio das pernas e eles não conseguem entender isso.
A cultura brasileira é muito assim, é uma coisa que vem lá de trás.
TRANSMANUAL: Pela conversa que você teve com ele (Diogo), os sentimentos que ele mostrou pareceu ser diferente dos outros?
PALOMA: Sim.
TRANSMANUAL: Por ter o apoio da família ele falava de uma forma mais tranquila?
Paloma: Ele também sofreu transfobia, porque não tem nenhuma pessoa trans que nunca sofreu transfobia na vida, mas é muito melhor do que a dos outros meninos e muito melhor do que as mulheres.
TRANSMANUAL: Você sentiu que os outros entrevistados ficaram repreensivos ao contar sobre a família?
PALOMA: Sim, os outros foram tristes do começo ao fim. O Diogo teve um problema com a namorada, porque ele já namorava ela quando descobriu que era trans, então dá para entender o lado dela. Eu até conversei e entrevistei e ela falou assim, “Imagina, eu fui lésbica durante tantos anos da minha vida e agora eu vou virar hetero, e agora é Diogo a pessoa que eu namoro. ” Então foi um pouco conturbado para ela, mas sempre apoiou. Na faculdade também, ele conseguiu fazer todo o processo de documentação sem nenhum problema. Então quando tem um apoio a pessoa consegue não perceber tanto a transfobia quanto os outros, com certeza ele consegue usar o banheiro, eu até perguntei, “As pessoas com quem você trabalha sabe que você é trans. “, ele me respondeu, “ Não, porque eu não falo e também não dá para perceber. ” Então quem sabe é só o pessoal do RH, no hospital tenha pessoas que passam e não fazem ideia de que ele é trans, porque não dá para ter certeza. A homologação dele foi muito boa, e ele conseguiu fazer a cirurgia rápido, então ele não sabe como é sofre uma transfobia como os outros.
TRANSMANUAL: Você acompanha de certa forma o transativismo fora do Brasil? E tocando no assunto de crianças você disse que eles têm uma mente mais aberta lá fora. Qual seria o comparativo do transativismo que aconteceu fora e aqui no Brasil?

PALOMA: Eu acompanho partes por causa da Laverne Cox, porque ela é muito pela luta trans. Acho que as pessoas trans no Brasil elas também não conseguem ter a consciência que uma pessoa trans lá fora tem, porque a gente não é um político, a gente acha que político é um coisa ruim que já começa doente e não quer militar pelas causas, a gente acha que vai ser em vão. Acho que das pessoas trans que eu conversei, a que mais tem isso é a Renata, talvez pela agressão dela. E a Luiza pelo que ela me contou da Europa, pelo menos as meninas que ela trabalhava perto não tinha muito essa noção justamente por estarem na prostituição e não saírem, e tem uma coisa muito interessante na história dela, ela só conseguiu entrar no Masp porque já viveu na Europa. Então quando ela estava lá na Europa, ela sempre foi apaixonada por arte e então ela falou, “Já que to aqui vou ir em todos os museus que puder, eu vou ver toda essa parte da experiência cultural. ” Porque assim ela não tem faculdade, e para você trabalhar no Masp você precisa ter uma faculdade.
Ela ficou conversando lá com o RH, a Leila que é supervisora dela e até conversou com a diretoria do Masp e falou assim, “Ela não tem faculdade, mas ela já foi em tais museus, ela já ficou tanto tempo na Europa”, e foi por isso que ela conseguiu o emprego. A Luiza também tem a parte política, mas é mais a parte do medo, tanto que quando conversei com ela, eu perguntei, “ Se ela pensa em sair do Brasil? ” e ela me disse, “ Que morre de medo de viver aqui e que pensaria em pedir uma anistia em ouro país.” É que ela mora ali na Armênia, então imagina uma mulher trans passando ali a noite, então ela começou a dar coisa para lá, os moradores de rua, os usuários, para eles não tratarem ela mal, então um dia levava cigarro e nos outros dois reais, começou a fazer amizade com eles, ela morava no centro de acolhidas que ali no final da Rua Pratos, agora que ela conseguiu ser promovida, ela alugou um quartinho, mas é ali na armênia também então continua sendo perigoso.
TRANSMANUAL: Ela atravessava a praça da armênia inteira?
PALOMA: Sim, ela passava toda a pracinha, ela saia do Masp a noite então ela chegava lá nove horas da noite. E ela participa de vários grupos no facebook, tanto que no dia que eu entrevistei ela, ela falou “ Só hoje duas meninas foram espancadas e uma morreu ”, então ela tem esse negócio de acompanhar muito todas as meninas trans.
TRANSMANUAL: Durante várias pesquisas que nós fizemos, achamos uma escritora ex trans e ela escreveu um livro Cansei de ser Gay. Qual sua opinião sobre isso?
Paloma: Isso é bem complicado, eu não sabia desse caso, mas eu lembro de um caso de uma ex feminista que faz isso, ela milita contra o feminismo hoje em dia. Eu não sei se estou errada em pensar isso ou falar, mas acho que tem dinheiro por trás, porque eu não consigo imaginar uma pessoa que está ali pela causa, essa feminista por exemplo, acho que o Marco Feliciano é apoiador dessa menina e também tem o Fernando Holiday que é um negro, que é contra cotas, que é contra tudo o que envolve o dia negro, ele quer acabar com o dia da consciência negra, eu não consigo entender isso. Hoje em dia eu consigo entender que uma pessoa LGBT, uma pessoa negra e uma mulher ela não precisa militar, só dela não querer fazer nada já é um ato político, mas você militar contra uma causa que não envolve só você, quantos meninos negros morrem por aí enquanto o Fernando Holiday vai lá na câmara e fala, “ Esse mimi das cotas tem que acabar”, “ Que o dia da consciência negra não serve pra nada”, é inaceitável uma coisa dessas. Se ele não gosta disso ele que fique quieto, principalmente que ele está ali como vereador, ele não pode fazer isso.
E uma ex mulher trans que ela se considera fazendo isso nesse período é um perigo muita grande, imagina se isso cai na mão do Bolsonaro ou do Feliciano a arma que não vai virar, há mais ela é uma mulher trans e está falando que isso não é bom, porque vamos deixar nossas crianças terem esse conhecimento, tanto que o ensino da identidade de gênero caiu, ele não foi aprovado na câmara dos vereadores justamente com esse discurso, que isso influenciaria as crianças, que isso não é uma coisa boa, não é uma coisa de deus. Tem coisas que a gente não tem que misturar religião já começa daí, por isso nosso estado é laico, então não tem que entrar religião e acaba entrando e acaba estragando mais ainda as coisas.
Para ver a entrevista completa, é só dar play no vídeo abaixo:
Entrevista: Natália Cristina e Nathan Bandeira.
Texto: Natália Cristina, Nathan Bandeira e Verônica Torrealba.
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