Igreja da Inglaterra estimula crianças a explorarem identidade de gênero
- Nov 13, 2017
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Nas novas regras para combater o bullying em 4.700 escolas, a Igreja da Inglaterra declarou segunda-feita, 13 de novembro, que as crianças deveriam ser capazes de "brincarem com as várias capas de identidade" em sala de aula, alimentando um debate sobre tratamento de gêneros entre os mais jovens.
A discussão iluminou profundas divisões entre Anglicanos conservadores que defendem os valores tradicionais e aqueles que procuram uma abordagem mais liberal. Na diretiva chamada "Valorizando Todas as Crianças de Deus", a igreja disse que estudantes do primário "deveriam estar em liberdade de explorar as possibilidades de quem eles devem ser sem julgamentos ou escárnio." "Por exemplo, uma criança deve escolher o tutu, coroa de princesa e salto alto e/ou capacete de bombeiro, cinto de ferramentas e capa de heróis sem comentários ou probabilidades", diz. "A infância tem um lugar sagrado para criatividade e imaginação." Justin Welby, arcebispo de Canterbury, que libera a Igreja da Inglaterra, e é o líder espiritual de 80 milhões de Anglicanos pelo mundo, aprovou as diretrizes.
"Devemos evitar, a todo custo, a diminuição de dignidade qualquer individual para um estereótipo ou problema." ele escreveu. "Escolas da Igreja da Inglaterra oferecem uma comunidade onde todos são amados e conhecidos por Deus, apoiado para conhecer seu valor inerente."
A Igreja da Inglaterra emitiu regras para limitar bullying homofóbico em suas escolas no ano de 2014, mas as últimas diretrizes ampliam consideravelmente o alcance de suas preocupações. "Todo bullying, incluindo homofobia, bifobia e transfobia, causam danos profundos, guiando níveis altos de problemas com a saúde mental, auto-mutilação, depressão e suicídio." escreveu o Arcebispo Welby. "Essas diretrizes ajudam escolar a oferecerem a mensagem cristã de amor, alegria e celebração da nossa humanidade sem exceção ou exclusão." Enquanto a Grã-Betanha tem muitos tipos de escolas, variando de taxa de pagamento até estatais, aquelas filiadas com a Igreja da Inglaterra são frequentemente valorizadas por pais, por oferecerem um alto padrão de educação.
Mas, em uma era de crescimento vocal da oposição cada vez mais favorável à discriminação contra pessoas nas bases de sexualidade ou identidade, a igreja por si só está em turbulência sobre o tratamento de tais problemas.
As regras foram amplamente aceitar por grupos que fazem campanhas pelos direitos dos gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e outros, incluindo o grupo sem fins lucrativos Stonewall, que descreveu as novas diretrizes como "um sinal claro de que bullyings homofóbicos, bifóbicos e transfóbicos nunca devem ser tolerados."
Mas os tradicionalistas tomaram problema com o decreto.
"Essas regras são desagradáveis, mal amadas e com falta de compaixão." de acordo com Andrea Minichiello Williams, chefe executiva do grupo evangélico de Christian Concern. "Somos todos contra o bullying, mas a igreja está usando essas diretrizes para buscar uma ordem que vai contra os ensinamentos da igreja."
"Estamos chegando ao ponto onde se você não tiver cuidado, o menor deslizamento da ordem correta em uma escola da Igreja da Inglaterra vai te dar uma punição." Ela disse ao tablóide The Daily Mail. "As ordens anti-bullying estão apontadas contra pessoas que saíram da linha. Os anti-bullying estão virando os que fazem o bullying."
Quando foi nomeado em 2012, o arcebispo Welby disse que ele estava "sempre contra a linguagem de exclusão." "Acima de tudo, na igreja, precisamos criar espaços seguros para esses problemas serem discutidos em honestidade e amor." ele disse. "Não devemos tolerar qualquer forma de homofobia em qualquer parte da igreja."
Mas apesar de seus apelos pela inclusão, e apesar da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na maior parte da Grã-Betanha em 2014, a doutrina Anglicana ainda proíbe sacerdotes de apresentarem ou abençoarem esses tipos de casamento na igreja.
Fonte: New York Times Tradução e adaptação: Verônica Torrealba para Transmanual
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